Preparar a Igreja (com flores)  para a “Festa” do Senhor

  •                Toda a decoração deverá ser feita com a sobriedade que exige a celebração de tal modo que nunca a decoração se sobreponha à importância fundamental do sacramento que se celebra.
  •                  As composições florais aparecem para salientar o mistério celebrado e por isso não devem fazer desviar a atenção do rito da Celebração, mas ao contrário fazê-lo evidenciar.
  •                 Para o equilíbrio do conjunto, cada composição floral não deverá ter mais de três espécies diferentes de flores, assim como de cores. A verdura (canas, vides, etc.) virá ajudar a dar forma à composição e, nalguns casos, fazer sobressair as flores. Desta forma se guardará o símbolo da Trindade, coração de toda a Celebração Litúrgica.
  •                  A Tribuna não é à partida local para flores (era o lugar da exposição do Santíssimo) mas sim das velas. Como no local do Santíssimo se encontra uma imagem (Nossa Senhora, normalmente), poder-se-á honrá-la como uma decoração sóbria e de preferência do tipo indicativo. Assim formalmente são preferíveis composições florais assimétricas. A Tribuna, como qualquer outro espaço da igreja, não é o local para ser transformado num horto de flores.
  •                  Ao lado do Sacrário estão normalmente castiçais a indiciar a presença do Santíssimo. Colocar aí flores implica que estas vão também indicar esta presença, o que exclui composições florais em forma de leque ou redondas; sendo preferível a forma em “L” considerando a presença do castiçal que não é para esconder. Nada obsta a que haja uma composição floral só um lado do sacrário e se coloquem os castiçais do outro.
  •                 Sobre a mesa do altar de Celebração pode ser colocada uma composição floral (nunca ao centro), não mais alta do que o cálice, podendo ter um movimento formal até ao chão. Se a composição é feita no chão, à frente do altar, este nunca deve estar ao centro, mas sim “indicar” o centro, nem esconder o altar. Considerar que há tempos litúrgicos em que é desaconselhado colocar flores sobre a mesa do altar.
  •                  O ambão (local onde se fazem as leituras) pode ser também decorado, mas não escondido com flores!
  •                  Todos as composições florais devem ser feitas tendo em conta que:

                            – A água não poderá nunca cair sobre a madeira dos altares.

                           – Considerar com cautela que o pólen das flores ataca (destrói) o ouro e a pintura dos altares, pelo que não deve haver contacto e considerar que as flores ao murcharem vão caindo e por isso o contacto é sempre um risco a considerar.

                          – Excluir todo o tipo de suportes como pregos, colas, pasta colante, fita-cola, ou outros do género, em qualquer superfície de madeira.

  •                       Em todos os casos a presença das flores não deve esconder nenhum dos motivos decorativos já presentes nos altares. Todas as composições florais devem ter em conta a presença destes e terem alguma transparência.
  •                      Tecnicamente, uma composição floral não se apresenta como um ”catálogo” de flores justapostas, super-alinhadas e geometricamente colocadas. A composição deve “dizer” da obra da criação onde a singularidade de cada ser (de cada flor) está presente e fala por si do Criador. Na forma e no conjunto é sempre a obra da Criação que nos conduz ao Mistério de presença do Totalmente Outro, que é Deus.