Arte floral Litúrgica – Serviço à Liturgia

1. A arte de “compor” num espaço de celebração

Antes de mais será necessário falar da composição litúrgica global, isto é, no seu espaço físico, para depois podermos situar exactamente um “arte de compor” com as flores.

A primeira questão surge naturalmente: como é que todos os elementos, tudo o que envolve, tudo o que faz parte constitui, compõe uma liturgia? Ou de outra forma, como é que tudo isto entra em relação de conjunto, uns com os outros, para compor uma celebração litúrgica?

Assim o espaço litúrgico designa ao mesmo tempo:

– um enquadramento litúrgico (o tempo, o momento, o lugar)

– uma assembleia, principalmente (tamanho, consistência, quem ela é, a sua diversidade…)

– um volume no qual se celebra, a arquitectura, a disposição dos lugares…

– acções litúrgicas propriamente ditas, com os seus ritos, as suas deslocações, as suas atitudes

– o mobiliário ou imobiliário (altar, ambão, cadeiras, candelabros, vasos sagrados…)

– a decoração que se dá a ver, a pensar (frescos, vitrais, esculturas, vestes…)

– o espaço sonoro, com palavras pronunciadas, os sons, a música, etc.

É a composição litúrgica, e a arte de a realizar, neste espaço (com todas as suas dimensões) que nos interessa. No interior desta grande composição, poderão intervir a composição de cada elemento, e a arte de o fazer:

– quer seja a composição do acto da leitura,

– ou a composição duma procissão,

– ou uma composição musical ou uma “composição floral”.

Se nos situamos numa atitude de servidores da assembleia celebrante e de Cristo que reúne, ser-nos-á necessário repartir do essencial, do que é a liturgia e os objectivos que nos propomos seguir. Duma outra forma, antes de olhar o como, coloquemo-nos bem de acordo sobre o que convém fazer.

A celebração litúrgica

Olhemos para a Constituição sobre a Santa Liturgia do último Concílio, no seu primeiro capítulo “A natureza da liturgia e sua importância na vida da Igreja” (a reler urgentemente!). O modo como a questão é abordada neste texto é instrutivo. Fala-se (nº 5) da “Obra de Redenção realizada por Cristo”. Esta obra de Redenção dos homens e da perfeita glorificação de Deus, Cristo a cumpriu principalmente pelo mistério pascal. Depois (nº 6): “Cristo está presente nas acções litúrgicas”. Sob diferentes formas (nas acções litúrgicas, no sacrifício da missa, na pessoa do ministro, nas espécies eucarísticas, nos sacramentos, na sua Palavra, quando a Igreja ora e canta os salmos). A liturgia é considerada como o exercício da função sacerdotal de Cristo, para a santificação dos homens e a glória de Deus pelo Corpo Místico todo inteiro.

Nos números 8, 9 e 10, o concílio insiste sobre o facto de que a actividade da Igreja não se limita à liturgia, mas desenvolve por um lado, o facto de que ela “é uma antecipação da liturgia celeste para a qual nós caminhamos como peregrinos”, e por outro que ela é o “cume para o qual tende toda a actividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde imana toda a sua virtude”. Enfim, para obter esta plena eficácia, os fiéis devem cooperar (nº 1).

A Introdução Geral ao Missal Romano (IGMR) precisa as modalidades de realização da liturgia eucarística.

Os números 1 e 7 retomam os elementos do Concílio já referidos anteriormente. Nomeadamente as diferentes formas de presença de Cristo, para sublinhar a estrutura da Missa, com as suas duas partes principais: a liturgia da Palavra e da Eucaristia. O nº 3 precisa que o objectivo essencial necessita de dar todo o seu lugar à assembleia… Assim, podemos perceber a natureza e o objectivo da liturgia. E a IGMR precisa as modalidades: o que a Igreja nos pede para fazer.

Algumas consequências imediatas:

– A liturgia não é uma mise en scène (mesmo se ela contém alguns elementos).

– A liturgia não tem como fim passar ideias, sejam elas boas, catequéticas ou outras.

– A liturgia não é um somatório de piedades, de devoções individuais.

– A liturgia não é qualquer coisa a fazer, muito menos a dizer, nem mesmo a fazer fazer.

– A liturgia não é um dar mas um receber.

A partir daqui podemos, pois falar “no serviço da liturgia”.